Ervas: salgueiro, teixo, mandrágora, cíclame, menta, cipreste, tamareira, gergelim, dente-de-leão, alho, carvalho, cebola.
Elementos: água e terra
Cores: preto, azul, vermelho, branco, dourado, cinza.
Pedras: ônix, turmalina negra.
Dia da semana: sábado ou segunda-feira
Mês do ano: Agosto
Dias de honra a Hécate:
31/01, 27/02, 04/03, 13/08, 21/09, 31/10, 01/11, 07/11, 16/11.
Festas de Hecate: Hécate era adorada tanto pelos gregos como pelos romanos, e tinham suas próprias festas dedicadas a ela. Segundo Ruickbie, os gregos guardavam dois dias consagrados a Hécate, um o 13 de Agosto e outro o 30 de Novembro. Os romanos consideravam o 29 de cada mês consagrado a ela.
Lua: minguante e nova (luas negras)
Associações: trabalhos psíquicos, mistérios e segredos profundos e escondidos, predição, feitiços e transes
Animais: mariposa, cão, loba
Hécate era uma divindade nocturna, da vida e da morte. Era chamada de “A Mais Amável”, “Rainha do Mundo dos Espíritos”, “Deusa da Bruxaria”.Era a mais antiga forma grega da Deusa Tríplice, que controlava o Paraíso, o Submundo e a Terra.É uma Deusa tricéfala grega, Deusa da Lua Minguante, guardiã das encruzilhadas, senhora dos mortos e rainha da noite. Ela era homenageada com procissões em que se carregavam tochas e oferendas para as conhecidas “ceias de Hécate”.É conhecida como uma Deusa “escura” por seu poder de afastar os espíritos maléficos, encaminhar as almas e usar sua magia para a regeneração. Invocava-se a sua ajuda em seu dia (13 de Agosto) para afastar as tempestades que poderiam prejudicar as colheitas.Especialmente para os trácios, Hécate era a Deusa da Lua, das horas de escuridão e do submundo. Parteiras eram ligadas a ela. Era conhecida entre as Amazonas como a Deusa da Lua Nova, uma das três faces da Lua e regente do Submundo.A lenda não é clara quanto à sua origem. Alguns mitos dizem que Hécate era filha dos titãs Tártaros e Noite; outras versões dizem ser de Perseus e Astéria (Noite-Estrelada), ou de Zeus e Hera. Sabemos que seu culto não se originou na Grécia. Lendas de Hécate eram contadas por todo o Mediterrâneo.No início, Hécate não era uma Deusa ruim. Após a queda do matriarcado, os gregos a cultuavam como uma das rainhas do Submundo e governante da encruzilhada de três caminhos.Um de seus animais sagrados era a rã, um símbolo da concepção. Era chamada de A Deusa das Transformações, pois regia várias passagens da vida, e podia alterar formas e idades. Outro animal sagrado era o cão.Hécate era considerada como o terceiro aspecto da Lua, a Megera ou a Anciã (Portadora da Sabedoria). Os gregos chamavam-na de A Megera dos Mortos. Aliada de Zeus, ela era acompanhada por uma matilha de lobos.Como aspecto da deusa Amazona, a carruagem de Hécate era puxada por dragões. Outros de seus símbolos eram a chave e o caldeirão. As mulheres que a cultuavam normalmente tingiam as palmas de suas mãos e as solas dos pés com hena. Seus festivais aconteciam durante a noite, à luz de tochas. Anualmente, na ilha de Aegina no golfo Sarônico, acontecia um misterioso festival em sua honra.
Essa era uma Deusa caçadora que sabia de seu papel no reino dos espíritos; todas as forças secretas da Natureza estavam sob o seu controle. Os gregos e trácios diziam que ela controlava o nascimento, a vida e a morte.
Hécate era considerada a patrona das sacerdotisas, Deusa das feiticeiras. Estava associada à cura, profecias, visões, magia, Lua Minguante, encantamentos, vingança, livrar-se do mal, riqueza, vitória, sabedoria, transformação, purificação, escolhas, renovação e regeneração.
Como Senhora da Caçada Selvagem e da feitiçaria, Hécate era a princípio uma divindade das mulheres, tanto para cultuar como para pedir auxílio, e também para temer caso alguém não estivesse com sua vida espiritual em ordem.
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Hekat, divindade egípcia simbolizada por uma mulher com cabeça de rã, é uma Deusa primordial. Aquela que surgiu no início dos tempos, na criação, e que fez parte dessa mesma criação. É a senhora dos pântanos, dos lagos, da gestação (da lama primordial (união da terra e da água), e por isso das águas uterinas. A rã é uma figura representativa de fertilidade e abundância, encontrada não só na mitologia egípcia, mas amplamente em muitas outras. Ela é a grande parteira, a que dá à luz e abençoa a gestação. Simultaneamente, tal como a rã, representa também a terra, o útero e sepultura de todos os seres. Assim, é a senhora das passagens (encruzilhadas), a que traz a vida, a morte, as transformações. A curandeira, a que, tal como a água e a terra regenera, cura, e transmuta a vida em morte e a morte em vida.
Estes ciclos são
não apenas físicos, mas psíquicos. Ela mergulha para dentro do pântano,
levando-nos com ela, até à suavidade da lama, à escuridão profunda das
águas. Aí, deixamos partir e transformar-se o que tem de morrer, e
renascemos, dando à luz novos aspectos de nós mesmos, regressando à
superfície em flor, como o lótus enraizado no fundo do lago,
alimentando-se desta mesma lama e escuridão, e que surge luminoso,
aberto e perfumado à superfície das águas. Ela é a senhora da Magia, a
grande sábia, que vê além do visível, é, por isso, e uma vez mais ligado
ao elemento água, a senhora dos sonhos,
do subconsciente e das emoções profundas. No entanto, ela é
clarividente, ela vê simultaneamente o visível e o invisível, e é desta
supra percepção que ela concede a sua bênção, muitas vezes da forma
menos e evidente, mas com sentido mais profundo.
Hécate, como é chamada mais tarde na Samo-Trácia, torna-se nesta zona uma grande deusa,
com todas as características anteriormente referidas excepto a cabeça
de rã. Aqui, ela é simbolizada pela Lua, a Terra e a noite primordial
onde tudo tem origem e a onde tudo regressa. Esta noite primordial é
muitas vezes mencionada em várias tradições de meditação, que se referem
ao ser humano e à existência como a noite por onde passam planetas,
astros, noites e dias, mas que se mantém a íntegra essência, para além e
na origem de todas as coisas.
Na Grécia, Hécate é a Deusa-
Tripla Lunar, incorporando as características de Virgem (quarto
crescente), Mãe (Lua Cheia) e Anciã (minguante). Surge assim associada a
Artémis (quarto crescente, a caçadora, a que alivia as dores, a
justiceira, a parteira), Selene (a Lua cheia, a Mãe, a que dá à luz,
nutre e cuida). Das três apenas Artémis era uma Deusa principal.
Hécate surge também ligada a Perséfone (virgem) e Deméter (Mãe).
Perséfone é a amada filha de Deméter. Enquanto colhia flores num prado, a jovem donzela é raptada por Hades, senhor do sub mundo, que a mantém secretamente cativa, levando a que sua mãe, Deméter, deambule em desespero por toda a Terra. Senhora dos cereais e alimento, a grande mãe Deméter, mortificada pela sua tristeza, priva todos os seres de alimento, uma vez que nada mais nasce da terra. Hécate auxilia então Deméter, pois sendo a sábia, ela é a testemunha, ela observa tudo o que acontece, e a partir desta contemplação, ela aconselha, e a acção acontece. Assim, Deméter sabe por Hécate o sucedido a Perséfone. Zeus, que havia autorizado este rapto a seu irmão, decide então interferir uma vez que a privação de alimento aos seres vivos se torna insuportável. É feito um julgamento no Olimpo, onde é decidido que Perséfone pode regressar para junto de sua mãe, desde que não tenha ingerido nenhum alimento nos infernos. Porém, Perséfone comeu alguns bagos de romã (fruto associado às travessias do espírito), e assim, passa duas partes do ano à superfície, junto da Mãe (quando a terra floresce), e duas partes no sub mundo, junto de Hades, que se torna seu esposo (quando a terra cessa de florescer e aguarda).
Apesar de ser uma presença bastante secundária e apenas referenciada, neste mito, encontramos a essência de Hécate, tal como foi cultuada previamente na Trácia. Ela é aquela que atravessa o sub mundo. Este reino representa a escuridão, as trevas, é o reino da morte e dos mortos, dos nossos instintos básicos, sonhos, comportamentos inconscientes, o reino das experiências dolorosas, das dúvidas, mas também o reino da escuridão profundamente transformadora, como a escuridão do ventre que gera a vida. Assim, Perséfone, a partir das suas experiências de dor, torna-se a guia, a que orienta e aconselha aqueles que fazem a sua travessia pelo sub mundo. Deste modo, deixa de ser virgem e passa a ser simultaneamente a Mãe e a anciã.
«A mãe dá à luz a filha, e a filha dá à luz a Mãe». Perséfone
cresce, amadurece, e liberta a sua mãe do elo de dependência e apego que
as unia, libertando-se simultaneamente a si mesma. Ambas entram numa
nova fase de vida psíquica Em algumas versões do mito,
Perséfone desce ao sub mundo gritando e em pranto, mas antes de
regressar à superfície aceita de livre vontade comer alguns bagos de
romã garantindo assim o seu regresso. Através desta experiência
violenta, ambas entram numa nova fase de vida psíquica, mudando de
arquétipo. Isto é o que acontece durante a adolescência, quando o mundo
interior se mostra, levando a jovem a ter perspectivas de vida
diferentes das anteriores e impondo o derradeiro corte do “cordão
umbilical” de forma muito definitiva. Frequentemente, é um processo
simultaneamente doloroso para a Mãe e para a filha (o), mas também muito
necessário, uma vez que ambas se tornam independentes e a relação pode
evoluir num sentido de partilha e amizade. Muitas vezes, Demeteres
obstinadas recusam este processo, e Perséfones frágeis vivem esta fase
de trevas por um longo periódo que pode prolongar-se indefinidamente
pela vida adulta.
O arquétipo da Mãe não se refere somente a maternidade física,
mas também à mulher que cura, que transforma. O arquétipo da Mãe pode
ser o de mulheres artistas, cujos filhos são
as suas obras de arte, de médicas e enfermeiras, que dedicam a vida a
curar os outros, de místicas, ou de qualquer mulher que apoie e guie os
outro directa ou indirectamente. O arquétipo da mística e da artista
cruzam-se também com os da virgem e da anciã, uma vez que exploram
territórios virgens de si mesmas, e criam através desta experiência,
abrindo as portas da percepção, oferecendo orientação de forma directa
ou indirecta, a partir das suas acções ou pela inspiração que as suas
obras despertam. Frequentemente, são
mulheres solitárias, viajando, tal como faz a anciã, pelos terrenos
mais inóspitos da psyche, compreendendo a sua natureza, e permitindo que
os ciclos de renovação tenham lugar.
Nesta passagem, Perséfone torna-se madura e sábia, deixa de ser
a vítima e passa a ser a testemunha, a que observa e auxilia, e é ela
quem orienta as almas dos mortos e perdidos (desde os que passam por uma
fase de transição nas suas vidas, até dissidentes e criminosos),
tornando-se Hecate. Na verdade, estas três deusas são uma apenas, tal como a lua tem quatro fases, sendo apenas uma. A quarta fase da Lua é a lua oculta, e por isso não presente no mito, a fase negra e secreta onde se dá a transformação da vida em morte e da morte em vida.
Hécate é, por isso, a senhora das encruzilhadas. Ela tem três reinos, a todos conhece mas não domina nenhum (na mitologia grega estes reinos são posse de figuras masculinas, uma adulteração do mito
trácio original) : os céus, a terra e o sub mundo, ou a terra, o oceano
(que representa o submundo, uma vez que é o reino das emoções, sonhos
e inconsciente) e os céus. Ela está para além da posse ou do ego, ela é
a sábia, a anciã, a senhora do visível e do invisível (Magia e
profecia), o útero, a sepultura, a alquimia. Ela é a Mãe Negra (sub
mundo, conhecimento profundo, magia), a Mãe Vermelha (passagens,
mistérios do sangue, parteira), e a Mãe Branca (sabedoria, pureza,
compaixão). Ela aguarda na encruzilhada e observa: três vias, o passado,
o presente, e o futuro. Ela não se precipita, fica na encruzilhada e
observa, o tempo que for preciso, até uma direcção ser tomada. Ela não
escolhe a direcção, nós escolhemos. Ela oferece apenas a sua sabedoria e
profunda visão. Sendo a testemunha, aquela que observa, ela é muitas
vezes invisível, representando a unidade invisível, para além de todas
as coisas e acções, e a sua parte essencial (a definição de Tao).
É frequentemente representada com uma reluzente cabeleira de
estrelas, com a Lua ornando-lhe a fronte, ou com a capa negra da noite. È
por vezes representada pela figura da velha caminhante, disfarçada na
figura da mendiga que percorre caminhos (peregrina). Surge também
representada com três cabeças e três pares de braços, cada cabeça
olhando numa direcção diferente, segurando nos braços três tochas, uma
chave, uma corda e um punhal. Representando a clarividência, a que
ilumina e observa em todas as direcções, a que abre e atravessa todas as
portas, o cordão umbilical, a parteira, mãe, e senhora da ressurreição e
regeneração, e a faca, o poder ritual, a capacidade de pôr fim, de ver
para além das ilusões. Surge associada a duas combinações de três
animais: o cão, a serpente e o leão, bem como o cão, o cavalo e o urso.
Surge também associada à rã, à coruja e ao lobo. É o arquétipo de La
Loba, da osseira, da trapeira, que recolhe ossos e trapos
reconstruindo-os para voltar a dar-lhes vida.
As suas árvores são o teixo, o amieiro, o choupo e o cipreste, as suas ervas alfazema, arruda e artemísia. Estas plantas são
associadas a Hécate enquanto senhora dos portões entre o mundo dos
vivos e o mundo subterrâneo das sombras. O teixo e o cipreste estão
associados à imortalidade, intemporalidade e eterna juventude, sendo a
morte encarada como passagem transformadora e não fim assustador e
definitivo (esta significação tem origem na própria terra que dá vida,
dá a morte e transforma os frutos caídos em alimento, fazendo renascer
as sementes que guardam no seu núcleo). A alfazema está associada à
transformação e cura, a arruda à purificação e transmutação, a artemísia
á purificação, clarividência, sonhos e profecia.
Hécate é uma das figuras mais ignoradas na mitologia grega, onde surge apenas mencionada nos mitos
de Perséfone e Deméter. É uma das figuras posteriormente mais
incompreendidas e negativizadas. Com a implementação do patriarcado,
passou de sábia bruxa a feiticeira temida, de anciã a velha assombrosa. A morte transformou-se de passagem natural em algo de temido, o sub mundo dos sonhos
e experiência emocionais tornou-se um inferno incandescente. Os seus
poderes mágicos, associados à profunda manifestação da espiritualidade,
ciclos e sabedoria feminina, bem como a conexão com a terra e ciclos da
natureza foram oprimidos, condenados e suprimidos. O lobo passou a ser
um animal demoníaco, a serpente tentou Eva, e é esmagada sob os pés de
vários santos
cristãos, “grande cadela”, um dos seus epítetos, passou a ser um
insulto feroz. As parteiras forma gradualmente desaparecendo, sendo
milhares de mulheres queimadas nas fogueiras pelos seus conhecimentos, e
ainda hoje a parteira é alvo da desconfiança geral. A anciã tornou-se a
velha, a mulher na terceira fase da vida, sendo inútil ou louca. Na
sociedade actual, frequentemente, a velha não tem lugar, está a mais. A
virgem passou a ser a única figura feminina louvada, sendo a concepção e
o sexo, outrora supremamente sagrado, tidos como pecados, sendo a
mulher o seu veículo maior. O corpo redondo da mãe e experiente da velha
tornou-se anti estético. A Magia, manifestação e vivência da
espiritualidade feminina individual ou em grupo, com ou sem doutrina
específica definida tornou-se alvo de temor, e consequente perseguição.
Outro aspecto de Hécate que a tornou temida nas sociedades patriarcais, é o facto de ser uma Deusa viajante e sem consorte, independente, íntegra, sábia mas sem nenhum relacionamento com a figura masculina.
Hoje, assistimos ao ressurgimento de Hécate, a partir de muitas gerações de activistas femininas que tornaram possível afirmarmos actualmente que não somos feministas. A sua acção foi extremista, mas extremamente necessária para a liberdade que hoje temos, e que toma sentidos crescentemente mais profundos. Resgatamos a Lua que nos inspira, a terra que pisamos, os ciclos que vivemos. A glorificação das nossas experiências e do nosso mundo interior manifestado de forma livre e sábia.
Hoje, as Deusas e o seu manancial de crescimento interior são resgatadas, por milhares de mulheres, que desde o último século reivindicam a sua espiritualidade, a sua individualidade e o seu direito a serem plenamente mulheres e a aceder ao sagrado feminino dentro de si e à sua volta, regressando forças adormecidas, mas tão poderosa e inspiradoras, como o são cada Mulher, cada Deusa.




